O surto de coronavírus no Brasil está apenas começando, diz o ex-ministro Mandetta

O surto de coronavírus no Brasil está apenas começando, diz o ex-ministro Mandetta
“A história mostrará quem estava certo e quem estava errado”, diz Mandetta, de Bolsonaro.
14 de maio de 2020
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Jamil Chad é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com visitas a mais de 70 países, o jornalista paulista também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da Transparency International, foi presidente da Associação de Imprensa Estrangeira da Suíça e contribui regularmente para a mídia internacional como a BBC , CNN, CCTV, Al Jazeera, Francia24, La Sexta e outros. Morando na Suíça desde 2000, Chad é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi escolhido duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

O Brasil já está pagando o preço pelo atrito que o governo Jair Bolsonaro criou com a China, em meio à pandemia de coronavírus. O alerta é do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Em uma entrevista em coluna, o ex-chefe do ministério argumentou que o governo deveria se concentrar no combate ao vírus e não comprar uma luta agora com Pequim.

Para ele, o surto no Brasil está “apenas começando”. Nesta quarta-feira, também em entrevista à rede americana CNN, o ex-ministro não descartou que o número diário de mortes no Brasil ultrapasse a marca de mil casos.

Mandetta renunciou no mês passado depois de uma série de desentendimentos com o platô sobre como responder à pandemia. Agora, ele diz que “o tempo dirá” quem estava certo.

Para ele, o surto que matou mais de 12.000 pessoas no Brasil ainda está em suas primeiras semanas. “Estamos no começo”, disse ele. Segundo ele, o pico já pode ter sido atingido em Manaus. Mas continua a crescer em outras capitais. “E no sul, ainda não começou”, alertou.

“A população não sabe para onde está indo”, lamentou, referindo-se às diferentes ordens dadas por diferentes entidades políticas no país. “Eu disse uma coisa e o presidente disse outra”, admitiu.

Intimidação com a China dificulta a compra de equipamentos, diz ex-ministro

Mas o ex-ministro também está preocupado com o posicionamento internacional do país. Nas últimas semanas, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo começou a criticar a China devido à crise internacional. Além disso, a idéia de que existe um “plano comunista” para moldar a nova ordem internacional que será formada no período pós-pandemia foi estendida a diferentes fóruns e textos. Os filhos do presidente e os deputados aliados do governo também usaram as mídias sociais para atacar Pequim.

Mandetta não esconde que tem sérias dúvidas sobre os números publicados pelos chineses e que acredita que a ciência revelará os problemas que ocorreram no país asiático. Mas ele insiste que esse debate deve ser adiado. “A impressão que tenho é que, em um lugar cheio de pólvora, o Itamaraty fuma”, afirmou.

“Este não é o momento para uma luta”, disse ele. Mandetta conta como ele tentou abordar o governo chinês e fechar acordos com a participação da Organização Pan-Americana da Saúde. “Se eu não tiver um bom relacionamento, será difícil fornecer (materiais de saúde).”

O ex-ministro ressalta que mesmo o governo Donald Trump já reduziu parcialmente as críticas à China, pensando justamente em garantir seu suprimento. “Não é hora de apontar o dedo. Primeiro temos que enfrentar o coronavírus. Depois podemos lavar a roupa suja”, insistiu.

Para ele, o Brasil já “pagou o preço” por comportamento agressivo contra Pequim. “Onde estão as máscaras? Estamos perdendo enfermeiras”, disse ele. “Respiradores não são suficientes”, lamentou.

Para Mandetta, o modelo da OMS está desatualizado e “sem ferramentas”

Mandetta também deixou claro que a atual estrutura da OMS não permite que a organização tenha os instrumentos necessários para enfrentar crises como a atual. Segundo ele, a pandemia de coronavírus pode ser decisiva para o futuro da instituição. “Será marcado”, disse ele. “A OMS não possui as ferramentas necessárias para arbitrar”, lamentou.

Segundo ele, a instituição teve um papel limitado no gerenciamento do fornecimento de equipamentos e também não tem poder para apresentar alternativas. “O modelo está falido”, disse ele.

O ex-ministro acredita que o Brasil perde com um sistema internacional enfraquecido. Mas ele lamenta a posição assumida pelo governo nas últimas semanas. “O Brasil não tem pessoas para pensar em seu papel na saúde pública global. Se não sabemos se devemos ou não abrir um salão de cabeleireiro, como vamos conhecer nossa posição no mundo?” esse setor

Mandetta defendeu seu governo no Ministério da Saúde e diz que, quando assumiu a pasta, observou que o Brasil estava ausente do debate internacional depois do governo Michel Temer e de uma relação mais estreita entre os governos Lula e Dilma com países como Cuba. “O Brasil estava fora do pacote. Comecei a reposicionar o Brasil. Tínhamos bons canais com os Estados Unidos, Israel e Europa, mas também com China, Alemanha, Reino Unido e Rússia”, afirmou. “Estávamos reposicionando o Brasil. Mas agora, como será?” Ele perguntou.

Mandetta não esconde que teme que o governo adote uma posição de alinhamento exagerada com os Estados Unidos e com um discurso de confronto com entidades internacionais. “Meu medo é que o Brasil faça um discurso contra organizações (internacionais). Os Estados Unidos têm o poder de se defender. Mas podemos continuar no caminho”, alertou.

fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/05/14/surto-no-brasil-so-esta-no-comeco-alerta-mandetta.htm

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