Lembre-se: em 24 horas, MG tem mais de mil casos Covid-19 e 17 mortes; são mais de 12 mil pacientes e 306 óbitos

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As minas devem atingir o pico de Covid-19 em meados de julho.

Rostos e histórias por trás dos números: algumas vítimas do novo coronavírus em Minas Gerais. – Foto: arquivo pessoal

Mais uma vez, Minas Gerais bate o recorde de diagnósticos e mortes resultantes do Covid-19 em 24 horas. Nesta quarta-feira (3), segundo boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde, o estado possui 12.010 casos confirmados e 306 óbitos. Outras 201 vítimas estão sob investigação.

Houve 1.071 novos casos e 17 novas mortes em comparação com o dia anterior. Até então, o registro de casos de um dia havia sido registrado no domingo (31 de maio), com 834 novos diagnósticos.

De acordo com o balanço do SES desta terça-feira, 22.976 testes foram realizados até o momento para detectar a doença, mais 564 em um dia.

O balanço de hoje também relata que 5.336 pacientes se recuperaram da doença no estado desde o início da pandemia, 1.802 foram admitidos em hospitais e 6.139 foram isolados de suas casas.

O SES parou de revelar o número de casos suspeitos da doença, que, segundo os dados mais recentes, ultrapassavam 101 mil.

2 de 26 reprodução 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criado pela Visual Science. – Foto: Reprodução / Visual Science Reprodução 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criado pela Visual Science. – Foto: Reprodução / Ciência Visual

Casos por município

O município com a maioria dos casos da doença é Belo Horizonte (2.029), com 51 óbitos, seguido por Uberlândia (1.031) e Juiz de Fora (625).

No total, houve pelo menos um caso de coronavírus em 465 municípios de Minas Gerais, mais da metade do estado.

3 de 26 Distribuição de casos de coronavírus em Minas Gerais em 31 de maio de 2020. Mais da metade dos municípios de Minas Gerais possuía o Covid-19. – Foto: SES-MG / Distribuição de reprodução de casos de coronavírus em Minas Gerais em 31 de maio de 2020. Mais da metade dos municípios de Minas Gerais possuía o Covid-19. – Foto: SES-MG / Reprodução

As 17 mortes confirmadas nas últimas 24 horas ocorreram nos seguintes municípios:

Lima Duarte – 78 anos

Teófilo Otoni: mulher de 67 anos e homem de 60 anos.

Santa Luzia – 67 anos

Miraí – homem de 25 anos

São João Del Rei – 80 anos

Betim – 73 anos

Contagem – mulher de 78 anos, 64 homens e 55 homens sem fator de risco

Visconde de Rio Branco – 77 anos

Carangola – 80 anos e 68 anos

Ipatinga – 96 anos

Betim – 50 anos, sem fator de risco

Patrocínio – mulher de 94 anos

Orizânia – homem de 56 anos

Nesta quinta-feira (28 de maio), o G1 mostrou, em pesquisa exclusiva, que as mortes demoram em média uma semana para entrar no boletim da Secretaria Estadual de Saúde, com casos que levam até 68 dias.

Covid-19: mortes levam tempo para contar em Minas

Perfil do Paciente

A maioria dos pacientes que morreram com o novo coronavírus são homens: 53% do total. E idosos: 76% têm mais de 60 anos. Além disso, 88% das mortes ocorreram em pacientes que já apresentavam fatores de risco, principalmente hipertensão, diabetes e doenças cardíacas.

Outros fatores de risco registrados foram doença pulmonar, doença renal, distúrbios mentais, doença neurológica, tabagismo, neoplasia, hipotireoidismo e doença geniturinária.

No início da pandemia, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) relatou a comorbidade de cada paciente que faleceu com Covid-19. Em abril, no entanto, o portfólio parou de reportar. Questionada, a SES afirmou que, devido à “possibilidade de ocorrência em pequenos municípios”, “os pacientes podem ser facilmente identificados quando características específicas são descritas”. “Portanto, para manter a confidencialidade das informações fornecidas pelos pacientes e / ou familiares, não divulgamos mais a descrição detalhada das informações pelo paciente”.

O município com mais óbitos até agora foi Belo Horizonte, com 51. Depois, Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 30 óbitos, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 21.

Descubra abaixo as histórias de alguns desses pacientes que não resistiram ao coronavírus em Minas:

Covid-19 vítima de rua

“Eles me ligaram da Santa Casa para me informar que eu havia sido internado no Covid-19. Meu plug não caiu, sabe? Ainda não chorei ”, disse Valter, irmão mais velho de Adilson.

Os irmãos perderam seus pais e avós muito cedo. “Adilson era brincalhão, inteligente, prestativo, estava chorando (risos). A vida era muito ruim com ele. Ele seguiu o caminho errado. Ele sofreu demais, sofreu demais ”, lamentou.

4 of 26 Foto exclusiva de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos – Foto: Valter Goulart / Arquivo pessoal Foto exclusiva de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos – Foto: Valter Goulart / Arquivo pessoal

Após a morte de seu irmão, Valter começou uma peregrinação para poder enterrar seu irmão.

“Eu não tinha documentos. Até encontrar a certidão de nascimento dela, demorou muito. Então o corpo foi levado ao IML. Para liberar, tive que me identificar. Muito triste ver meu irmão assim. Sem roupas, velho, “ele disse.

Quando ele foi hospitalizado, a preocupação de Adilson era o cachorro que morava com ele. “Seus companheiros na rua estavam nos observando”, disse Valter.

Casal morre com dez dias de diferença

Antônio Borges dos Santos, 95, e Luiza Francisca Pereira, 89, costumavam tomar sol na varanda de sua casa em Río Manso, cidade com pouco mais de 5.000 habitantes, na região central de Minas Gerais.

Os dois se casariam por 71 anos em junho. Ele morreu em 17 de maio em Covid-19. Ela morreu neta nesta quinta-feira (28) também vítima da doença.

5 de 26 Antônio e Luiza morreram com 10 dias de diferença – Foto: Ficha Pessoal Antônio e Luiza morreram com 10 dias de diferença – Foto: Ficha pessoal

“Quando minha avó descobriu a morte de meu avô, ela disse que não poderia viver sem ele. Depois ficou pior”, disse Lívia Luiza de Oliveira Borges, neta do casal.

Os dois tiveram 13 filhos, dois dos quais morreram. Eles deixaram 30 netos, 33 bisnetos e cinco bisnetos.

“Eles estavam sempre próximos e abraçados. Eles não podiam ver que estávamos vendo que eles rapidamente pararam de se abraçar. Foi muito difícil perder os dois em tão pouco tempo ”, afirmou Lívia.

Primeiras mortes em Minas

A primeira morte por coronavírus relatada em Minas Gerais foi a de Marlene Eunice Vanucci, 82 anos, que mora em Belo Horizonte. Foi internada no Hospital Biocor em Nova Lima em 21 de março, com febre, tosse e dificuldade respiratória, sendo transferida para a UTI dois dias depois. Ela morreu em 29 de março. A paciente também apresentava doença cardiovascular crônica, diabetes mellitus e doença pulmonar crônica.

No dia da morte de Marlene, sua nora fez uma explosão emocional em uma rede social:

“Gostaria muito que os governadores fossem mais respeitosos a cada vida cortada e sufocada pelo coronavírus. O Sr. Mandetta continua sendo técnico e firme, não se deixe abater pela ignorância. Mais amor e mais empatia”, escreveu ele. .

6 de 26 A morte de Marlene foi confirmada pelo médico da Biocor – Foto: Mídia social reprodutiva A morte de Marlene foi confirmada pelo médico da Biocor – Foto: Mídia social reprodutiva

Posteriormente, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) revelou outras mortes ocorridas antes de Marlene Vanucci: de uma paciente de 79 anos de Patos de Minas, em 28 de março, e de uma mulher de 79 anos de Paraisópolis, O mesmo dia. Em 29 de março, um paciente de Juiz de Fora, 71 anos, também morreu.

O segundo morador de Belo Horizonte a morrer com resultado positivo do Covid-19 foi Darcy Gomes Parreiras, 66 anos, internado no Hospital Semper e falecido três dias após ser internado em 30 de março. Ele apresentava doença cardíaca e diabetes mielite.

7 de 26 Darcy Gomes Parreiras – Foto: Arquivo Pessoal Darcy Gomes Parreiras – Foto: Arquivo Pessoal

Mortes que demoram a confirmar

Gilberto Loiola tinha 74 anos, morava em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais e morreu com coronavírus em 13 de abril, mas a morte só foi confirmada pelo Secretário de Estado da Saúde (SES) após 26 dias. A família afirma que, no atestado de óbito, até 21 de maio, ainda havia grave insuficiência respiratória como causa da morte.

Como o G1 mostrou em 19 de maio, houve casos de atrasos de até 42 dias para o governo do estado relatar uma morte por coronavírus.

8 de 26 Gilberto Loiola e Carina Loiola. – Foto: Arquivo pessoal Gilberto Loiola e Carina Loiola. – Foto: arquivo pessoal

Gilberto gostava de viajar e sua última viagem foi um cruzeiro pelo Caribe, com sua esposa e nora Carina Loiola, no início de março. Na época, a família acreditava que a doença estava muito distante, como disse a filha, que, além de seu pai, também perdeu o sogro para Covid-19.

“Acreditávamos na doença, mas como os números ainda eram baixos no Brasil, especialmente em nossa região, pensamos que estava longe.”

O casal chegou em uma viagem no dia 15 de março e no dia 18, Gilberto começou a sentir alguns sintomas leves, como febre baixa e foi à Unidade de Emergência (UPA) em Poços de Caldas, mas os médicos disseram para ele voltar para casa. . .

Carina também perdeu o sogro, Nilton Augusto Flores, pela doença. Ele viajou no mesmo navio de cruzeiro que Gilberto e foi admitido em 27 de março.

“Sabíamos do coronavírus, mas quando eles viajaram, ainda não havia muitos casos da doença no Brasil e no local onde eles não teriam nada. O operador de cruzeiro prometeu que haveria vigilância. Então, nós eram mais seguros “, disse ele. Carina. .

9 de 26 Nilton Augusto Flores também viveu nos poços de Caldas. – Foto: Arquivo pessoal Nilton Augusto Flores também viveu nos poços de Caldas. – Foto: arquivo pessoal

Pacientes sem comorbidade.

O quarto paciente era um homem de 44 anos, morador de Mariana, que morreu em um hospital da cidade em 30 de março. Ele não tinha comorbidade. Essa morte em Mariana foi confirmada na manhã de 1º de abril.

Outro paciente que não apresentava comorbidade ou doença prévia era um morador de 72 anos de Ouro Fino, no sul de Minas. Ela teve sintomas, com febre, em 21 de março. Ele foi internado no dia 24 e morreu em 31 de março. O teste que confirma que estava com o Covid-19 saiu neste domingo, 5 de abril.

Segundo o município de Ouro Fino, João Batista Bueno Filho morava no interior e apresentava sintomas após uma viagem de cruzeiro pelo Ceará, onde estava com a esposa.

10 of 26 A prefeitura de Ouro Fino confirma que um homem de 72 anos morreu de Covid-19 – Foto: replay da EPTV A prefeitura de Ouro Fino confirma que um homem de 72 anos morreu de Covid-19 – Foto: replay da EPTV

E em 5 de maio, uma mulher de apenas 39 anos, moradora de Teófilo Otoni, que também não apresentava fatores de risco, morreu.

Ele disse que a doença era uma “coisa da mídia”

Outro paciente que não apresentava doença prévia foi Cláudio Manoel Ricardo, 69 anos, morador de Montes Claros. Segundo o filho do velho, Claudinei dos Santos Ricardo, em entrevista ao G1 em 2 de março, o pai viajou antes do período do carnaval para ver a família e voltou em 16 de março.

“Infelizmente, meu pai não levou a sério, ele disse que era um problema da mídia. Quando ele decidiu viajar, eu o avisei para não ir e, embora ele soubesse dos riscos, era porque ele não acreditava na doença. Meu pai era 100% saudável, não tinha problemas de saúde e fez um check-up recente “, disse o filho do paciente.

Ao amanhecer do dia 17, Cláudio Ricardo começou a sentir os primeiros sintomas da doença. O velho foi internado no hospital Aroldo Tourinho em 27 de março e intubado dois dias depois. Ele morreu em 1º de abril. A família dela está isolada e sendo monitorada.

11 de 26 Cláudio Manoel Ricardo entrou no Hospital Aroldo Tourinho – Foto: Arquivo Pessoal Cláudio Manoel Ricardo foi hospitalizado no Hospital Aroldo Tourinho – Foto: Arquivo Pessoal

Profissionais de saúde

Uma profissional de enfermagem de 53 anos que trabalhava no Hospital Alberto Cavalcanti, em Belo Horizonte, e também na Unidade de Pronto Atendimento Ressaca, em Contagem, na Região Metropolitana, faleceu em 20 de abril. Foi internada no Hospital Municipal de Contagem. , após contrair o coronavírus. As informações foram confirmadas pelo Conselho da Cidade no dia 20, mas a morte só entrou no balanço oficial do governo em 25 de abril.

Técnico de enfermagem foi a primeira vítima do Covid-19, em Contagem

A empregada Maria Aparecida Andrade tinha 53 anos e deu positivo para o Covid-19 em 8 de abril, com uma licença de sete dias de suas atividades profissionais. O exame e o atestado médico foram realizados em Belo Horizonte. Em 13 de abril, cinco dias após a retirada, procurou atendimento na UPA Ressaca e foi transferida para o Hospital Municipal de Contagem.

Devido à idade, Maria Aparecida não foi considerada em risco. Mas ele tinha uma doença cardíaca. E, portanto, ele poderia ter pedido uma licença. Mas ele nunca fez essa escolha. E, como seus colegas desconheciam a doença, ninguém o aconselhou a ficar em casa.

Cida, como a chamavam carinhosamente, era apaixonada pela profissão.

“Passamos 12 horas aqui, às vezes até mais do que com nossos parentes. Nós nos consideramos uma família. Então perdemos um membro da nossa família. E esse buraco permanecerá, não haverá como cobri-lo “, disse sua amiga Kelly Ribeiro Alves, enfermeira que trabalhou com Cida.

Ela disse que todos os colegas estavam muito assustados com a morte de María Aparecida, porque estavam todos “na linha de frente” da luta contra o coronavírus.

O pediatra Ramón Pinto Lobo, 69 anos, faleceu no dia 6 de maio na Biocor, em Nova Lima. Ele era morador de Jequitinhonha.

12 de 26 O pediatra de Jequitinhonha morreu de Covid-19 no Hospital Biocor, em Nova Lima – Foto: Reprodução / Redes Sociais O pediatra de Jequitinhonha morreu de Covid-19 no Hospital Biocor, em Nova Lima – Foto: Reprodução / Redes sociais

Segundo a enfermeira e coordenadora da Vigilância Sanitária em Jequitinhonha, ela apresentava diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares crônicas.

Além de ter uma clínica particular, Ramón Pinto Lobo era médico em uma unidade de saúde em Jequitinhonha, onde trabalhou até 17 de abril, e de plantão no Hospital São Miguel. Seu último dever foi 13 de abril.

Em 18 de maio, a técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, 47 anos, morreu de um coronavírus em Varginha, no sul de Minas.

13 de 26 A técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, 47 anos, morreu de coronavírus em Varginha. – Foto: Reprodução / EPTV A técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, 47 anos, morreu de coronavírus em Varginha. – Foto: Reprodução / EPTV

Marilene trabalha há 25 anos no setor de oncologia do Hospital Bom Pastor e é internada no CTI desde 20 de abril. A morte do profissional de saúde foi confirmada às 8 horas da manhã de 18 de maio.

A Câmara Municipal de Varginha emitiu uma nota de condolências pela morte do criado:

“Lamentamos anunciar a morte da técnica de enfermagem Marilene do Prado Tavares, 47, hoje às 8 horas da manhã de hoje, que trabalhou 25 anos em sua função na BPH, destacando-se por seu comprometimento, simpatia e carinho. Nossos tributos efusivos são essa querida servo, são nossos sentimentos em relação aos membros de sua família. Que Deus os consolem “, diz a nota.

No mesmo dia da morte, parentes, colegas e amigos do técnico de enfermagem realizaram uma procissão em homenagem à vida e ao profissionalismo do profissional de saúde. Sob os aplausos de seus colegas, o corpo deixou o hospital para ser enterrado.

Outra técnica de enfermagem falecida foi Maria Eliza Oliveira Andrade, que trabalha há mais de 35 anos na Santa Casa de Capitão Enéas e falece no dia 1º de junho.

14 de 26 Técnico de enfermagem faleceu aos 55 – Foto: ficha pessoal Técnico de enfermagem faleceu aos 55 – Foto: Ficha pessoal

Bila, como era popularmente conhecida na cidade com pouco mais de 14.000 habitantes, adorava a profissão e estava sempre pronta para servir os outros, relataram seus colegas.

“Ela era caridosa, brincalhona e muito feliz. Um profissional exemplar que morreu fazendo o que amava. Todo mundo gostava dele no hospital, foi uma grande perda para o município ”, afirmou o ex-diretor da unidade Gilson Farias dos Santos, que trabalhou por três anos com o técnico.

“Estou aqui para servir, fiz um juramento e farei.” Essas foram as palavras proferidas pelo técnico de enfermagem quando ele foi instruído a se afastar desse período de pandemia por estar hipertenso e em risco.

“Eu disse várias vezes que a doença era perigosa, mas Bila queria continuar cuidando dos pacientes. Ela deixou um grande vazio no hospital, era nossa referência aqui. Uma pessoa gentil e amorosa com todos ”, disse Joilma Veloso e Silva, funcionário do setor administrativo há 30 anos.

Ela estava internada desde 22 de maio em um hospital de Montes Claros. O corpo do profissional foi enterrado pelo capitão Enéas na manhã desta terça-feira (2). Os moradores se reuniram na entrada da cidade para acompanhar a procissão ao cemitério e prestar a última homenagem. Ela era casada e tinha três filhos adultos.

15 de 26 Amigos fizeram uma caravana na entrada da cidade para se despedir do técnico de enfermagem – Foto: Arquivo Pessoal Amigos fizeram uma caravana na entrada da cidade para se despedir do técnico de enfermagem – Foto: Arquivo Pessoal

Um morador da cidade de Martinho Campos, Jair Quirino de Oliveira, 62 anos, foi considerado o “médico” da cidade.

16 de 26 Jair Quirino de Oliveira é uma das vítimas do Covid-19 em Minas Gerais – Foto: Ficha pessoal Jair Quirino de Oliveira é uma das vítimas do Covid-19 em Minas Gerais – Foto: Ficha pessoal

Formado em patologia clínica, Jair trabalhou 45 anos em farmácias da cidade na região Centro-Oeste de Minas Gerais, com pouco mais de 13 mil habitantes.

“Ele começou a ter febre no dia 12 de abril e pensou que era apenas sinusite. Por ter muita autoconfiança, não procurou um médico e começou a tomar os medicamentos por conta própria ”, disse Geisiane Costa Quirino Oliveira, que perdeu o pai para o Covid-19 duas semanas depois.

Após a piora dos sintomas, Jair foi internado no dia 19 de abril. Dois dias depois, ele foi transferido para o Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte. Jair morreu em 26 de abril.

“Ele adorava comentar, discutir futebol, política. Ele gostava de contar uma piada, era uma pessoa bem conhecida em Martinho Campos. Todo mundo gostava muito dele, ele estava sempre procurando por ele ”, disse a esposa de Jair, Giselma Quirino Oliveira.

Pacientes mais jovens

A primeira vítima adolescente de Covid-19 em Minas, a paciente mais jovem que não resistiu à doença, era moradora de Betim. Ela tinha 14 anos e foi internada em um hospital em São Paulo, esperando um transplante de coração. Ela morreu em 3 de maio.

Em Betim, o segundo paciente mais jovem morreu, tinha apenas 23 anos e não apresentava doença ou comorbidade prévia.

17 de 26 Matheus Augusto Lobo, 23 anos, não tinha doença anterior e morreu com coronavírus – Foto: Erberte Lobo / arquivo pessoal Matheus Augusto Lobo, 23 anos, não tinha doença anterior e morreu com coronavírus – Foto: Erberte Lobo / File amigos

Matheus Augusto Cerqueira Lobo, 23 anos, morreu em 19 de maio e seu corpo foi cremado no dia seguinte.

“Ele pegou minha mão e me pediu para não deixá-lo morrer”, disse Erberte Lobo, 62 anos, pai de Matheus, sobre o dia da hospitalização.

O jovem foi levado à Unidade de Pronto Atendimento de Teresópolis (UPA) na semana passada. De lá, ele foi transferido para o Hospital Regional de Betim, onde morreu dias depois.

Matheus gostava de passar tempo com sua família e trabalhava como freelancer, comprando e revendendo carros.

18 de 26 Matheus Augusto Lobo e pai Erberte Lobo – Foto: Erberte Lobo / arquivo pessoal Matheus Augusto Lobo e pai Erberte Lobo – foto: Erberte Lobo / arquivo pessoal

Em Itabira, o terceiro paciente mais jovem do estado morreu, com apenas 24 anos de idade. A morte ocorreu em 6 de abril. A SES-MG informou que já apresentava fatores de risco, mas não informou quais.

Um dos pacientes mais jovens a morrer era morador de Santo Tomás de Aquino, no sul de Minas, com apenas 34 anos de idade. Eu tinha hipertensão

19 de 26 Fisioterapeuta Wesley Soares, 34 anos, morreu com Covid-19 em Franca, SP – Foto: Reprodução / EPTV Fisioterapeuta Wesley Soares, 34 anos, morreu com Covid-19 em Franca, SP – Foto: Reprodução / EPTV

A cidade de Santo Tomás de Aquino (MG) confirmou a morte do fisioterapeuta da rede municipal de saúde Wesley Leite Soares de Oliveira na noite de 12 de abril. Foi internado em Franca, no interior de São Paulo.

A irmã de Wesley Soares contou uma história emocionante em 14 de abril. Falando da evolução da doença, Daiane Mendes disse que a maior angústia da família se deve ao fato de não ter tido tempo suficiente para se despedir.

“O que mais dói é não ser capaz de dizer adeus. Não pode haver funeral, o enterro durou 10, 15 minutos. Muito rápido. Foi muito difícil.”

Wesley trabalhou como funcionário público da Prefeitura de Santo Tomás de Aquino e manteve uma clínica de fisioterapia. De acordo com Daiane, ela começou a se sentir mal em 2 de abril, quando mostrou sintomas de resfriado, tosse e falta de ar.

Ele recebeu o primeiro serviço na cidade de Minas Gerais, onde um raio-x mostrou uma ligeira alteração no pulmão. Segundo Daiane, o irmão foi enviado para Franca, onde realizou o teste rápido no dia 9, mas foi negativo para o Covid-19.

Apesar disso, a situação da saúde não melhorou e o pai, que vive em Franca, decidiu levar Wesley ao pronto-socorro para um novo serviço.

“Quando ele chegou na sala de emergência, eles já o colocaram em oxigênio e pediram uma vaga no Hospital do Coração. Eles o levaram para lá. Uma vez por dia, a equipe era atualizada. À uma tarde ligaram para minha cunhada ou meu pai ”, diz Daiane.

No entanto, a condição de saúde piorou e o fisioterapeuta morreu no domingo à noite (12). A irmã diz que o menino até recebeu cloroquina durante o tratamento após ser diagnosticado.

Daiane afirma que Wesley adorou o trabalho e se importava especialmente com pacientes idosos. Para ela, a melhor prevenção para impedir que mais famílias percam seus entes queridos é a distância social.

“Nas ruas, as pessoas andam sem nenhuma precaução. Acho que as pessoas tinham que estar mais conscientes. Mesmo eu, antes que isso acontecesse na minha família, eu não levei isso muito a sério. Nós só acreditamos quando chega à nossa família. Eu não quero que isso aconteça com ninguém. Espero que todo mundo cuide para que isso não aconteça nas famílias. E louco. Não tem explicação. ”

Pacientes idosos

O paciente mais velho a morrer de coronavírus até hoje em Minas foi Joaquim de Paula Reis, 95 anos, morador de Belo Vale. Ele era fazendeiro e não tinha filhos.

Ana María, que trabalha na casa de repouso onde morou nos últimos meses de sua vida, diz que ficou quieta, brincalhona e fez todos rirem muito.

20 de 26 Ana María morou com Joaquim na casa de repouso onde morou seus últimos meses. – Foto: ficha pessoal Ana María morou com Joaquim na casa de repouso onde morou seus últimos meses. – Foto: arquivo pessoal

As fotos de Joaquim sempre o mostram com um sorriso no rosto.

21 de 26 Joaquim de Paula Reis morreu com Covid-19 aos 95 anos de idade. – Foto: Arquivo pessoal Joaquim de Paula Reis morreu com Covid-19 aos 95 anos. – Foto: arquivo pessoal

Ele morreu em 20 de abril e teve doenças anteriores, não relatadas pelo Departamento de Saúde do Estado.

Aos 92 anos, Isabel Delfina Ferreira morreu na cidade da região metropolitana de Mário Campos, deixando seis filhos, 17 netos, 21 bisnetos e um bisneto.

22 de 26 Isabel Delfina Ferreira morreu de Covid-19 aos 92 anos – Foto: Ficha pessoal Isabel Delfina Ferreira morreu de Covid-19 aos 92 anos – Foto: Ficha Pessoal

Ela é lembrada com carinho pela neta Aldaiam Martins, que ainda hoje fala sobre ela: “Ela faz o melhor pão de arroz do mundo”.

Isabel morreu em 27 de abril.

“De repente, fiquei mais quieta, tossindo mais. Ela sempre tossia, sabia? Alérgico. Mas então enfraqueceu. Um dia ela foi para a cama e eu a levei ao médico. Não houve febre ou dificuldade em respirar. Ele foi diagnosticado com pneumonia e depois voltou para casa. Dias depois, ela piorou. Ela foi internada no hospital Betim e nunca mais voltou para casa “, disse Aldaiam.

Não houve vigília e o enterro foi rápido.

Freira fez caridade

A segunda morte em Paraisópolis, no sul de Minas, foi a de uma freira. Segundo a prefeitura, a freira Jandira Rosa Chagas, 78 anos, morreu no final de março, mas os resultados de seus testes foram revelados apenas em abril.

A irmã Jandira, como a conheciam, trabalhou na Casa da Criança em Paraisópolis. Ele recebeu honras da instituição no dia de sua morte. O perfil oficial do Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora da Fática também prestou homenagem à freira quando a morte completou o sétimo dia.

23 de 26 Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), a prefeitura confirmou a morte por coronavírus – Foto: Divulgação / Casa da Criança Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), confirmou a morte por coronavírus da prefeitura – Foto: Disclosure / House da Criança

Em Paraisópolis, o primeiro paciente falecido tinha 88 anos e foi internado no Hospital Escola, em Itajubá. A idosa faleceu no dia 4 de abril, mas os resultados dos testes foram confirmados no dia 7. A idosa apresentou sintomas após o contato com o filho de 53 anos, que apresentou resultado positivo para a doença. Ela foi internada, onde permaneceu por duas semanas em um hospital de Paraisópolis. Com a piora dos sintomas, ela foi transferida para Itajubá, onde morreu.

Contaminado durante uma visita

24 de 26 Terezinha Leite Vieira tinha 72 anos e morreu de Covid-19, em Bocaiuva – Foto: Ficha pessoal Terezinha Leite Vieira tinha 72 anos e morreu de Covid-19, em Bocaiuva – Foto: Ficha pessoal

Terezinha Leite Vieira, 72 anos, morreu de Covid-19 em Bocaiuva em 16 de maio. O aposentado morou em Belo Horizonte por mais de 40 anos, mas visitou parentes no norte de Minas.

“Ela estava muito feliz, tinha um bom coração e gostava de ajudar as pessoas”, diz a professora Polinne Brandão, sobrinha de Terezinha.

Durante todos esses anos, ela sempre andou pela região e trouxe muito carinho em sua bagagem. Como lembrado pela sobrinha que guarda as lembranças de Tia Tê em seu coração.

“Tia Tê tinha uma voz forte e eu sempre me lembrarei de quando ela veio pedir um abraço e beijar minha testa. Quando éramos crianças, ela já tinha uma memória. ”

Na última visita, Polinne não teve tempo de conhecer a tia. Ela veio diretamente para a casa de um irmão e foi internada no hospital da cidade com sintomas da doença, onde morreu em 16 de maio.

“Ninguém na minha casa teve contato. Quando descobrimos que ela estava aqui, ela já havia sido internada no hospital e não pôde receber visitantes. Uma amiga minha que trabalha lá me disse que antes de morrer, Tia Tê se arrependia de ter vindo para a região. ”

Não sei como foi contaminado

Em 16 de abril, uma mulher de 75 anos da cidade de Varzelândia morreu. Segundo a prefeitura de Varzelândia, o paciente estava em tratamento em São Paulo e retornou à cidade duas semanas antes. Ele morreu no Hospital Municipal Senhora Santana, em Brasília de Minas.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Célia de Fátima Fialho Dias, a paciente apresentou febre e dificuldade em respirar assim que chegou de São Paulo e recebeu os primeiros cuidados no Hospital São João da Ponte.

“Segundo os familiares, ela estava em tratamento em São Paulo há um ano e os médicos ordenaram que ela voltasse porque o câncer já estava muito avançado e a velha estava muito fraca”, disse a secretária.

A sobrinha mais velha, enfermeira Gircelia Ferreira, disse ao G1 que a família não sabe como foi infectada.

“O médico de São Paulo indicou que minha tia voltaria para casa e que em junho ela voltaria a acompanhar. Não sabemos como foi contaminado ”, afirmou.

Segundo Gircelia, sua tia acreditava na doença, ela estava isolada quando chegou de São Paulo e só teve contato com parentes.

“Foi uma surpresa quando o resultado positivo saiu. Ficamos com muito medo e foi um duro golpe para toda a família, especialmente para o marido, que ficou muito chocado. ”

A enfermeira acompanhou sua tia nos hospitais e fica isolada em casa com seus dois filhos, com idades entre 12 e 15 anos. Nenhum deles apresentou sintomas, mas relata que tem medo da doença e tem principalmente pela saúde de seus filhos.

“Não apenas os idosos podem ter complicações, todos devem se proteger. Meus filhos não saem de casa e, quando eu voltar ao trabalho, eles permanecerão isolados. Quem puder, deve ficar em casa e, se for necessário sair, faça-o com cuidado. Os municípios também devem controlar o cumprimento das medidas preventivas nas ruas “, alerta.

25 de 26 Gircelia é isolada com seus filhos; a quarentena termina nesta quinta-feira (30) – Foto: arquivo pessoal Gircelia é isolada com seus filhos; a quarentena termina nesta quinta-feira (30) – Foto: Arquivo pessoal

Ela reforça: “Muitas pessoas não querem acreditar na doença e só a levarão a sério quando perderem alguém, mas será tarde demais”.

Fã de pagode

26 de 26 Hermes de Paula da Silva mudou-se para Covid-19 com 48 anos – Foto: Archivo pessoal Hermes de Paula da Silva mudou-se para Covid-19 para 48 anos – Foto: Archivo personal

“O 10 de maio você está se sentindo enfermo. Me buscó, mas não encontramos. Pronto estaba llamando a Samu. Llegó al hospital, intubó. Isso é muito triste, porque criamos uma pessoa que está amando e que não existe ”, disse Márcia Ramos, ex-namorada e amiga.

Hermes era diabético. “Grupo de risco, né? A gente era muito próximo, bate papo e tomava uma vez. Eu não consigo acreditar no que aconteceu”, falou uma amiga.

“Amava pagode, principalmente o Zeca Pagodinho. Uma vez ele fez um aniversário que tocava isso. Disse que foi a melhor da vida dele ”, contou Márcia.

Erro do Ministério da Saúde

Um paciente que morreu em decorrência de uma doença no estado é uma mulher de 76 anos, moradora de Belo Horizonte, que parecia aparecer pela primeira vez no dia 23 de março. O resultado do exame comprovou que ela estava com Covid-19 saiu no dia 31 de março e morreu no dia 1º de abril. Ela tinha doença cardiovascular e diabetes.

Houve um erro de notificação de dados do paciente que morreu, que levou o Ministério da Saúde a anunciar, equivocadamente, que a primeira morte por coronavírus no Brasil ocorreu em janeiro. No dia 3 de abril, um macarrão voltou atrás e se corrigiu.

Outros pacientes

No dia 30 de março, morreu um morador de Uberlândia com 80 anos. Ele apresentou os sintomas de febre, sepse e dispneia no dia 29 de março e morreu no dia seguinte. Ele tinha doença pulmonar crônica e doença cardiovascular.

Na mesma cidade, morreu um paciente de 61 anos, que apresentou os primeiros sintomas, com febre, dispneia e mialgia no dia 26 de março e não resistiu no dia 2 de abril. Ela tinha doença renal crônica.

Em Belo Horizonte também morreu um paciente de 82 anos, que sentiu os primeiros sintomas no dia 24 de março, foi internado no dia 30 e morreu neste domingo, 5 de abril. Ele tinha hipertensão arterial e hipotireoidismo. E uma mulher de 60 anos que já tinha neoplasia e hipertensão arterial. Seus sintomas apareceram no dia 1º de abril, ela foi internada no dia 6, já com teste positivo para a Covid-19, e morreu na manhã desta terça-feira (7).

fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/06/03/recorde-em-24-horas-mg-tem-mais-de-mil-casos-e-17-mortes-passa-de-12-mil-diagnosticados-e-de-300-obitos.ghtml

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