Enquanto o Brasil sofre limitações, Wuhan avalia 11 milhões de habitantes.

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Wuhan, a cidade chinesa onde a pandemia de coronavírus começou, anunciou recentemente planos de rastrear todos os seus 11 milhões de cidadãos. Cada um dos treze distritos da cidade terá que preparar seus próprios testes, que serão realizados com uma nova tecnologia que utiliza ácido nucleico. Enquanto isso, a limitação de testes para confirmar os casos de Covid-19 no Brasil dificulta a avaliação do verdadeiro quadro da evolução da doença no país.

Por aqui, o Ministério da Saúde declarou que, até o dia 12 de terça-feira, 482.743 testes moleculares foram realizados para o coronavírus, um total ainda distante dos 24 milhões de testes prometidos pelo governo para enfrentar a pandemia. Além desses, existem outros 95.000 em análise nos laboratórios e 50.000 aguardando o resultado.

Sabe-se que o número de kits atualmente disponíveis é insuficiente para o tamanho da população brasileira. Os governos estaduais e municipais fazem o possível para comprar e importar testes de outros países, pois a produção doméstica permanece limitada. No entanto, a China é um dos principais fabricantes de reagentes e kits e, apesar do fortalecimento de sua produção, vem medindo suas exportações para atender à prioridade nacional.

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O país que mais realiza testes é a Dinamarca, com mais de 57 exames por 1.000 cidadãos, seguida pela Nova Zelândia, com 40,8 exames por 1.000 pessoas. Ambas as nações já declararam vitória contra o vírus em seus territórios. No caso do Brasil, com base em dados do Ministério da Saúde, a proporção é de 2,3 testes por grupo de 1.000 habitantes.

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Em reunião de videoconferência da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate ao coronavírus, na semana passada, o vice-presidente de Produção e Inovação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Krieger, informou que a capacidade de produção O número de testes moleculares realizados pela entidade aumentou de 58.000 em março para 1,2 milhão em abril. Até maio, a expectativa é produzir 2,4 milhões de testes moleculares. No entanto, ao superar a dificuldade de expandir a capacidade de produção, com a possibilidade de realizar 10.000 testes por dia no país, haverá outros gargalos.

Primeiro, segundo Krieger, é necessário formular uma estratégia para avaliar a população, que identifica os grupos prioritários. Em seguida, será necessário desenvolver sistemas de coleta e logística para que as amostras cheguem aos centros de análise de testes da Fiocruz. No Rio de Janeiro, um dos estados mais afetados pelo coronavírus, existem cinco unidades de análise.

O coordenador da Vigilância Sanitária da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, acrescentou que outro obstáculo é o processamento de amostras em laboratórios públicos e privados. Segundo Cunha, o processo de transferência do material coletado do tubo de coleta (amostra primária) para um tubo menor (amostra secundária), que será inserido no equipamento de análise, é muito delicado e expõe os trabalhadores ao risco de infecção. Isso requer a contratação de muito trabalho especializado, além do espaço físico.

Outro problema, observou Cunha, é a exigência legal de que a amostra seja acompanhada pelo CPF do paciente. Ele alertou que a maioria da população não possui carteira de motorista com CPF e não pode acessar o número quando está doente.

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O presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, destacou que cerca de 15 laboratórios privados também realizam testes moleculares. Ele estima que 20.000 a 25.000 testes são testados diariamente nesses laboratórios. No entanto, chamou a atenção para o gargalo do compartilhamento de informações com os departamentos de saúde estaduais e municipais. Segundo ele, os laboratórios começaram a entrar em contato com o Datasus para enviar dados para as redes.

Os testes moleculares ou RT-PCR são realizados a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta e permitem a detecção do vírus nos primeiros dias da doença. Os testes rápidos (ou testes sorológicos), realizados a partir da coleta de sangue, detectam anticorpos, se a pessoa já tiver tido contato com o vírus. Mas eles são eficazes apenas cerca de dez dias após o contato.

Projeto Wuhan

Nos últimos dois dias, Wuhan registrou seis novos casos de contágio, o primeiro em mais de um mês. Todos estão relacionados a pessoas idosas que vivem na mesma residência no distrito de Dongxihu. Onze outros casos foram detectados em Shulan, na província de Jilin, levando a região a um “estado de guerra” contra o Covid-19.

A população de Wuhan permaneceu trancada por 76 dias, do final de janeiro a 8 de abril. A cidade foi severamente afetada pelo vírus, que infectou quase 83.000 pessoas e causou 4.633 mortes na China, segundo dados oficiais. Somente em Wuhan, 3.869 pessoas morreram do Covid-19. A última morte causada pelo novo coronavírus no país foi registrada em meados de abril.

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Para evitar uma nova onda, o governo planeja realizar testes de rastreamento em massa na população. Cada um dos treze distritos da cidade de 11 milhões de pessoas tem 10 dias para se preparar para os testes, de acordo com uma circular municipal publicada pelo The Paper, o centro de notícias do estado de Xangai. A detecção será feita com ácido nucleico, diz a circular.

Os testes de ácido nucléico detectam o código genético do vírus e podem ser mais eficazes na detecção de contaminação, especialmente nos estágios iniciais, do que os testes direcionados à resposta imune do corpo, que são mais fáceis de executar.

Segundo os especialistas, será muito difícil produzir os 11 milhões de testes em dez dias, já que a cidade está testando uma média de 100.000 pessoas diariamente. Mas o governo chinês pretende mobilizar o maior contingente possível de profissionais de saúde e priorizar áreas e bairros da cidade onde há uma maior concentração de idosos.

Nas primeiras semanas do surto em Wuhan, muitos moradores tiveram dificuldade em acessar o teste devido à falta de kits. Os exames agora estão amplamente disponíveis em todo o país.

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Muitas empresas chinesas estão fornecendo evidências para seus funcionários antes de retomar o trabalho. Centenas de hospitais e clínicas podem avaliar pessoas, e os laboratórios agora podem processar resultados mais rapidamente. Mesmo antes de Wuhan lançar seu enorme plano de testes, o governo já havia garantido uma cobertura quase total dos custos de um exame em seu plano básico de seguro de saúde.

(Com Agência Câmara de Notícias)

fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/enquanto-brasil-sofre-com-limitacao-wuhan-testa-11-milhoes-de-habitantes/

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