Planalto faz ranking relacionando número de mortes com governadores

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BRASÍLIA – O Palácio do Planalto produziu um ranking que relaciona o número de casos e mortes da Covid-19 com os governadores. Há um “top 5” de lugares com mais “casos novos” e “novas mortes”. Junto com os indicadores, aparecem os nomes dos cinco chefes do respectivo Executivo estadual, a começar por João Doria, que governa São Paulo, adversário político do presidente Jair Bolsonaro.

O documento, ao qual O GLOBO teve acesso, foi elaborado pela Secretaria de Governo (Segov) da Presidência da República com dados do Ministério da Saúde no último sábado, dia em que o Brasil ultrapassou 100 mil mortes por Covid-19. Com o quadro simbólico, as demandas do governo federal em relação ao combate à pandemia se intensificaram.

100.000 vidas não podem ser desperdiçadas

Passado pelo Planalto por parlamentares da base aliada, o material causou furor nesta segunda-feira entre os deputados, que passaram a considerar inicialmente que se tratava de uma “notícia falsa”. Eles viram no material uma tentativa de Bolsonaro de se esquivar da responsabilidade, enquanto atacava governadores e prefeitos e discutia se deveriam fazer uma demonstração pública de repúdio.

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O documento traz um “top 5” dos municípios que mais têm casos confirmados da doença. A lista começa com Bruno Covas, prefeito do PSDB de São Paulo, com 213,5 mil diagnosticados. Covas criticou Bolsonaro por não levar a cabo a pandemia.

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Curiosamente, o segundo colocado no ranking é “Brasília”, mas não aparece o nome de Ibaneis Rocha (MDB), que governa o Distrito Federal (DF) e se alinhou ao Bolsonaro nos últimos meses. É o único caso em que o documento omite o nome do presidente local, apesar dos 121.800 casos de Covid-19 na Cidade do México.

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O terceiro colocado no “top 5” dos municípios é Marcelo Crivella, que comanda a cidade do Rio de Janeiro para os republicanos, onde já foram registrados 74,4 mil casos, diz o documento. Antonio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador pelo DEM, está em quarto lugar, com o registro de 62,2 mil casos, seguido por Roberto Cláudio, que administra a cidade de Fortaleza pelo PDT, com 43,9 mil diagnosticados.

No ranking dos governadores, está no “top 5” de novos casos e novas mortes. Em ambas, João Doria aparece em primeiro lugar, com São Paulo tendo registrado 13,3 mil novos casos e 281 novos óbitos, segundo material do Planalto, que aponta dados do Ministério da Saúde do último sábado, 8 de agosto.

Doria se tornou o principal oponente de Bolsonaro no contexto da pandemia de Covid-19. Os dois discutiram em uma videoconferência em que os governadores debateram medidas contra a pandemia. Doria ameaçou ir à Justiça contra o Sindicato.

Bolsonaro chamou Doria, em uma reunião interna com seus ministros, de “merda”. O vídeo do encontro foi divulgado por ordem judicial após denúncias do ex-ministro Sergio Moro sobre a interferência do presidente na Polícia Federal.

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Na lista de “novas mortes” do Planalto, depois de Doria, o documento aponta Romeu Zema, governador de Novo de Minas Gerais, com a indicação de 68 novas mortes no dia da pesquisa. Em seguida, vêm Eduardo Leite, que comanda o Rio Grande do Sul pelo PSDB, com 64 inscrições; Ronaldo Caiado, líder goiano pelo DEM, com 62 notificações; e o petista Rui Costa, do Bahia, que aparece com 56 novos óbitos em seu estado.

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Na lista dos “casos novos”, com Doria também em primeiro lugar, repetem-se três outros nomes da relação anterior, mas por uma ordem diferente: Eduardo Leite em segundo lugar, seguido de Rui Costa e Romeu Zema. Por fim, chega o Comandante Moisés, governador de Santa Catarina pelo PSL.

Elaborado pela Secretaria Especial de Assuntos Federativos (Seaf) da Secretaria de Governo da Presidência da República, o documento gerou desconforto entre os parlamentares. A tentativa de vincular nominalmente as mortes aos governadores não foi bem assimilada pelos deputados.

Os membros do DEM expressaram, de forma reservada, seu descontentamento com o que chamaram de classificação “infantil” e a tentativa do governo federal de fugir de suas responsabilidades. Esta semana, o Congresso pretende prestar uma espécie de homenagem às mais de 100.000 mortes causadas pela Covid-19. Na ocasião, os deputados querem denunciar os termos do documento que consideram “irresponsáveis”.

Um parlamentar exigiu que “Jair Bolsonaro avance para 3.012.412”, referindo-se ao número total de casos Covid-19 mostrados no mesmo documento. Além dos casos, o material produzido pelo Planalto também traz o número de mortos: 100.477.

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O documento mostra ainda que, até o último sábado, 2.094.293 pessoas foram recuperadas e 817.642 estavam em recuperação no país. Ambos os indicadores começaram a ser divulgados pelo governo nos últimos meses por despacho do Palácio do Planalto. Ainda de acordo com o material, a Covid-19 está presente em 5.488 municípios, ou 98,53% do total.

Abaixo da apresentação do “top 5” de casos novos, novos óbitos e total diagnosticado, relacionando os dados com nomes de governadores e prefeitos, o material destaca ações do governo federal: total de leitos de UTI habilitados (11.353), respiradores distribuídos (8.923), testes rápidos (7,8 milhões) e testes de PCR (5,3 milhões). Nessas entradas, de acordo com o documento, os dados são do último dia 3.

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A Secretaria Especial de Assuntos Federativos (Seaf) da Secretaria de Governo da Presidência da República informou, em nota, que o documento visa “acompanhar a disseminação da Covid-19 nos entes federados para auxiliar na articulação do Governo Federal”. A intenção é “contribuir internamente para a gestão de curto prazo do comportamento da pandemia nos estados e municípios”, disse a agência.

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Seaf não respondeu se a inclusão nominal de governadores e prefeitos em um ranking de mortes e casos foi feita para indicar sua responsabilidade no avanço da doença. Tampouco comentou o descontentamento que o documento gerou entre os parlamentares.

A Secretaria destacou, na nota, que faz parte de suas funções “acompanhar a situação social, econômica e política dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”; “acompanhar o desenvolvimento das ações federais no âmbito dos entes federativos”; e “gerir informações, promover estudos e desenvolver propostas e recomendações para o aprimoramento do pacto federativo”.

fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/planalto-faz-ranking-vinculando-numero-de-mortes-governadores-24578535

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