Especialistas continuam cautelosos com a vacina contra o coronavírus

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Especialistas continuam cautelosos com a vacina contra o coronavírus

Após o anúncio de um resultado promissor, permanecem testes em larga escala, a serem realizados em julho

Com prioridade global, dados os 4,8 milhões de casos confirmados e mais de 316.000 mortes causadas pelo novo coronavírus, a corrida pelo desenvolvimento de uma vacina é cada vez mais intensa. Depois que os cientistas da Universidade de Oxford ficaram otimistas na semana passada, as boas notícias vieram dos Estados Unidos. A empresa de biotecnologia moderna, em associação com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, anunciou testes preliminares positivos em ensaios clínicos que começaram em março. No entanto, faltam testes em larga escala, que devem ocorrer em julho.

Foto: Reuters

Os testes iniciais foram realizados com 45 voluntários, que receberam doses diferentes da vacina. Essas pessoas saudáveis, sem contaminação por coronavírus, têm entre 18 e 55 anos de idade. Os primeiros resultados foram baseados na reação das oito primeiras pessoas que receberam duas doses da vacina, a partir de março. Os voluntários produziram anticorpos capazes de impedir a replicação do vírus. Este é o principal requisito para uma vacina eficaz. Os níveis dos chamados “anticorpos neutralizantes” corresponderam aos encontrados em pacientes que se recuperaram após contrair o vírus na comunidade. A única reação adversa foi vermelhidão e uma sensação de dor muscular nos braços de um voluntário.

A empresa anunciou que deve realizar novos testes, a chamada fase 2, em julho e envolverá 600 pessoas selecionadas aleatoriamente. Este é um passo fundamental na definição da eficácia da vacina. A Food and Drug Administration (FDA), uma agência equivalente à Anvisa no Brasil, já autorizou esta segunda fase. Se os novos testes também forem bem-sucedidos, Zaks diz que uma vacina pode estar disponível para uso generalizado no final deste ano ou no início de 2021. “A fase intermediária 1, embora em seus estágios iniciais, mostra que a vacinação com mRNA-1273 produz uma resposta imune da mesma magnitude como a causada por uma infecção natural “, afirmou Tal Zaks, diretor médico da Moderna, em comunicado.

Embora encorajadores, os resultados não significam que a vacina funcione. Apenas estudos maiores e de longo prazo podem determinar se a imunização pode prevenir doenças. Especialistas brasileiros reafirmam a necessidade de novas evidências. “Os dados sugerem que duas das três doses testadas eram seguras e suficientes para o desenvolvimento adequado de uma resposta imune. A vacina agora precisa passar por estudos maiores de fase II e III para avaliar melhor seu perfil de eficácia e segurança”. Explicar. Márcio Bittencourt, professor de Saúde Pública e médico do Hospital Universitário da USP. “Os sinais iniciais são positivos, mas a aprovação só ocorrerá após avaliação adequada nas demais etapas. Devido à urgência, essas etapas podem ocorrer de forma acelerada, mas não podem ser omitidas, o que traria riscos”, acrescenta.

“O estudo é promissor, mas é muito preliminar. Eles o reconhecem. Ainda não se sabe quanto anticorpo é necessário para fornecer proteção. Acho que teremos uma ou duas vacinas até o final do ano. O problema é realizar os testes em um único grande número de pessoas e ver sua proteção e eficácia “, diz Eduardo Flores, virologista da Universidade Federal de Santa María, no Rio Grande do Sul.

Outro virologista, Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Pecuária da USP, explica que, além de gerar anticorpos, uma vacina deve oferecer proteção abrangente. “Foi demonstrado que a vacina em humanos é capaz de gerar anticorpos. Mas ainda é necessário demonstrar que é protetora. A proteção nem sempre está diretamente relacionada à presença de anticorpos ou apenas a anticorpos contra uma proteína viral. Proteção contra a o coronavírus envolve outras proteínas “, explica ele.

Dezenas de outras empresas e universidades também estão na corrida para criar vacinas. A Pfizer e seu parceiro alemão BioNTECh, a chinesa CanSino e a Universidade de Oxford, que trabalha com a empresa farmacêutica AstraZeneca, também estão testando seres humanos.

Ainda não existe tratamento ou remédio comprovado para o coronavírus no momento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esperar a descoberta de uma vacina até o final do ano. Os Estados Unidos investiram US $ 500 milhões nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos em busca de uma vacina.

Nova estratégia

Em geral, as vacinas usam uma versão “mais fraca” do vírus para desencadear a resposta imune do corpo. A urgência de combater a covid-19, no entanto, incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias. Empresas nos Estados Unidos, Europa e China usam os mais variados métodos. A estratégia do laboratório dos EUA envolve um segmento do material genético do vírus chamado RNA mensageiro, ou mRNA. O RNA (ácido ribonucleico ou um tipo de “parente” do DNA) também aparece em células humanas saudáveis, mas em muitos vírus, como o HIV ou o novo coronavírus.

Quando um vírus infecta uma célula, ele pode se multiplicar com base no material genético da própria célula. De um modo geral, o RNA mensageiro “viaja” através da célula carregando as informações necessárias para ajudar nessa replicação. Com o material de uma célula humana, por exemplo, o vírus pode se reproduzir e infectar mais células.

A pesquisa tenta modificar o RNA mensageiro e fazê-lo “ordenar” que a célula produza outras substâncias, mais benéficas para a resposta do organismo ao vírus. O RNA mensageiro modificado trabalha principalmente na produção dos chamados antígenos, as proteínas que fazem com que o corpo comece a produzir anticorpos que combatem vírus. O nome da empresa, mesmo familiar ao idioma português, vem de “ModeRNA”, uma referência ao RNA.

Mesmo antes do coronavírus, o laboratório fez vacinas e tratamentos para infecções virais. A empresa está testando, por exemplo, uma vacina contra o vírus Zika e um tratamento que cria anticorpos para a chikungunya.

A vacina clínica da Pfizer também usa esse modelo de troca de RNA. Especialistas dizem que o desafio agora é demonstrar sua eficácia. Até o momento, nenhuma vacina de RNA foi liberada para uso comercial. “A síntese de RNA é um processo complexo e ainda não foi testado na quantidade necessária em todo o mundo”, explica Brandão.

Diante de um vírus altamente contagioso, as vacinas podem ter uma melhor esperança de interromper ou retardar a pandemia. Ontem, a publicação de resultados promissores nesta pesquisa mostrou como a sociedade americana desesperada, especialmente o mercado, é pelas boas notícias. As ações da Moderna já haviam acumulado mais de 200% no ano até sexta-feira, 15, com a notícia de que a empresa havia começado a testar a vacina em janeiro, com apoio financeiro do governo dos EUA. Após os resultados da vacina, a empresa já ultrapassou o valor de mercado de US $ 30 bilhões, com uma listagem de mais de US $ 82 bilhões por volta das 12h. Segunda-feira.

fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/especialistas-mantem-cautela-sobre-vacina-contra-coronavirus,7c2db142c1136a6d41423de0b170aedewun5u1sk.html

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