Com a nova lei de segurança, Hong Kong vê o fim de uma era e se torna parte de uma disputa entre Estados Unidos e China

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ZURIQUE, Suíça – Na quarta-feira passada, sem aviso e sob forte proteção policial, a nova agência de segurança de Hong Kong abriu sua sede no coração comercial do território semi-autônomo da China. Localizada em um hotel de quatro estrelas com uma vista privilegiada da enseada, a agência tornou-se, para muitos moradores de Hong Kong, a representação concreta do fim de uma era, marcada pela entrada em vigor do novo Security Law National, que concede ao governo amplas potências chinesas para reprimir os oponentes no território.

Para a China, é uma questão interna, na qual não permite intervenções externas, mas Hong Kong se tornou mais uma parte da crescente disputa de Donald Trump com os Estados Unidos. A guerra comercial se expandiu, intensificada pelo Covid-19 e se tornou o tema central da campanha de Trump pela reeleição, com uma postura aberta de confronto com a China.

Produzido a portas fechadas em Pequim, o LSN entrou em vigor pouco antes da meia-noite de 30 de junho em Hong Kong, na véspera do aniversário da transferência da antiga colônia britânica para o controle chinês em 1997. Segundo uma autoridade chinesa, a Lei foi “um presente de aniversário” para a cidade. Na época do retorno, o governo chinês prometeu um período de transição de 50 anos, preservando o estilo de vida e as liberdades políticas de Hong Kong, uma fórmula conhecida como “um país, dois sistemas”. Mas os protestos contra a interferência chinesa que abalaram Hong Kong no ano passado fizeram com que o governo de Pequim perdesse a paciência e alterasse a fórmula.

A nova lei caiu como uma bomba entre partidários dos protestos e partidários. Mesmo as pessoas mais pessimistas não esperavam tal aperto. O resultado foi imediato. Horas após a aprovação do LSN, grupos pró-democracia anunciaram o fim de suas atividades em Hong Kong e vários ativistas decidiram deixar o território. Restaurantes e lojas removeram pôsteres apoiando o movimento. Os termos vagos sobre as atividades proibidas alertaram os residentes de Hong Kong, sentindo que haviam acordado em 2047, o ano que se espera que termine a transição. Ainda assim, milhares apareceram para protestar, embora em menor número que no ano passado. Mais de 300 foram presos.

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Subversão e conluio

A lei abrange quatro áreas: atividades separatistas, subversão, atividades terroristas e conluio com forças estrangeiras. Ações comuns nos protestos de 2019, como ataques a transportes públicos e prédios do governo, são consideradas atos de terrorismo e subversão. Os manifestantes receberam apoio político e financeiro do exterior, que agora pode ser classificado como conluio. A maioria dos crimes deve ser julgada em Hong Kong, mas casos extremos serão levados a julgamento em Pequim, com a possibilidade de punição severa.

Em uma mensagem enviada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, a executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, disse que o LSN “não comprometerá” um país, dois sistemas “e o alto nível de autonomia de Hong Kong”. Lam, que foi impedido de redigir a lei, disse que isso só era necessário porque a oposição se tornou violenta, com atos de vandalismo e ataques a “símbolos nacionais”, como a queima de bandeiras.

Para o governo chinês, na prática, o interesse interno superou as preocupações sobre o custo potencial para sua reputação internacional e possíveis contra-bloqueios de outros países, como as sanções dos EUA e a promessa do Reino Unido de conceder vistos de residência e eu trabalho para 3 milhões de habitantes. do território de Zhang Xiaoming, representante do governo chinês em Hong Kong, disse que o LSN é necessário para lidar com “oponentes e forças externas” agindo pela independência de Hong Kong. Em expansão nos últimos anos, o nacionalismo ecoou nas mídias sociais chinesas, observando que Hong Kong, dada aos britânicos após as Guerras do Ópio (1839 e 1860), é o mais recente símbolo das humilhações impostas à China pelas potências ocidentais.

Para o cientista político Jean-Pierre Cabestan, da Universidade Batista de Hong Kong, as razões apresentadas pelo governo chinês são apenas pretextos, uma vez que o movimento pela independência nunca foi uma ameaça real e a violência dos protestos “já havia terminado em novembro passado ano “. Segundo Cabestan, a verdadeira motivação do governo chinês na aplicação da lei é “impedir que Hong Kong se torne uma base de subversão que acaba desestabilizando o continente e ameaçando a liderança do Partido Comunista Chinês”. Com maior controle, Pequim poderá manter o estado pós-2047, o que Cabestan chama de “um país, dois sistemas 2.0”:

– A Área Autônoma Especial, a fronteira e uma jurisdição separada são muito úteis para manter a parte de Hong Kong como um centro financeiro. Você consegue? Não tenho certeza, devido a sanções dos EUA e pressão internacional. De qualquer forma, Hong Kong, como a conhecemos, está desaparecendo.

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Sombra de Taiwan

Uma grande questão é se a pressão internacional pode ter algum peso para influenciar as ações de Pequim em Hong Kong. Muito pouco, na opinião de Michael Green e Evan Medeiros, que eram diretores da Ásia no Conselho de Segurança Nacional dos dois últimos governos dos EUA. Em um artigo publicado na revista Foreign Affairs, Green e Medeiros chamam a nova lei de “draconiana” e “uma profunda tragédia para o povo de Hong Kong”. Mas eles dizem que o aperto dos Estados Unidos tende a prejudicar mais a economia de Hong Kong do que a de Pequim e acelera a absorção de território semi-autônomo no sul da China.

O maior perigo, dizem eles, é a “sombra” de Taiwan, que Pequim considera uma “província rebelde” e que deve se unir à China continental. Sob a liderança de Xi Jinping, a China se tornou menos relutante ao atrito internacional, dizem eles, e sob Donald Trump, os EUA interromperam o diálogo estratégico com Pequim, uma combinação que aumenta os riscos de confronto. Nas pesquisas, Trump usou os ataques à China como lema para sua campanha de reeleição. A questão é um caso raro de consenso bipartidário: novas sanções em resposta ao LSN foram aprovadas por unanimidade no Senado dos Estados Unidos, de 100 a zero. Em Pequim, vozes a favor da intervenção em Taiwan apóiam abertamente a idéia. Li Sun, presidente do centro de estudos do Fórum Modern Think Tank, disse que Hong Kong é um “teste” para a retomada de Taiwan.

O executivo brasileiro Sérgio Graneiro, que deixou Hong Kong há apenas um mês, onde viveu por 13 anos e foi diretor de um banco internacional da Ásia e do Pacífico, não compartilha dos temores de que o LSN signifique o fim do território como um centro. financeiro. Para ele, o governo chinês está interessado em demonstrar que a nova lei é um sucesso e, por esse motivo, fará esforços para estimular a prosperidade e preservar um ambiente de negócios favorável em Hong Kong. Uma indicação disso, diz Graneiro, é o grande fluxo de fundos chineses observado desde que a lei foi aprovada e a quantidade expressiva de ações lançadas por empresas chinesas planejada para os próximos meses.

– Embora a nova lei mude o status político de Hong Kong, do ponto de vista do direito comercial, a segurança jurídica para os negócios deve ser mantida – diz Graneiro, que não acredita em uma saída maciça das empresas de Hong Kong. – As multinacionais não têm pontos de vista geopolíticos. Se eles continuarem ganhando dinheiro, eles ficarão.

fonte: https://oglobo.globo.com/mundo/com-nova-lei-de-seguranca-hong-kong-ve-fim-de-uma-era-vira-peca-da-disputa-entre-eua-china-24528244

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